Midcult

quinta-feira, outubro 15, 2009

Presente feito à mão

Filed under: Pessoal — O escritor @ 00:25
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Aviso ao navegantes: este post nada tem a ver com o propósito inicial do blog.

“- Mas… que fazes aqui?

E ele repetiu então, lentamente, como se estivesse dizendo algo muito sério:

– Por favor… desenha-me um carneiro…

Quando o mistério é impressionante demais, a gente não ousa desobedecer. Por mais absurdo que aquilo me parecesse a milhas e milhas de todos os lugares habitados e em perigo de vida, tirei do bolso uma folha de papel e uma caneta. Mas lembrei-me, então, que eu havia estudado principalmente geografia, história, matemática e gramática, e disse ao pequeno visitante (um pouco mal-humorado) que eu não sabia desenhar. Respondeu-me:

– Não tem importância. Desenha-me um carneiro.”

Eu – quando estou com a idade mental de 5 anos, como agora – desejo todo o arsenal de bugiganga com motivos do Pequeno Príncipe. Todo mundo, claro, pode ter as mesmas coisas. Maaaaaaaaaassss ninguém teve um carneiro desenhado para si.

E eu tenho, ó:

A @lu_karam – num pedido de desculpas por não ter ido ao meu jantar de aniversário - me desenhou um carneiro. Agora me diga: tenho como não perdoá-la? ;)

A @lu_karam – num pedido de desculpas por não ter ido ao meu jantar de aniversário - me desenhou um carneiro. Agora me diga: tenho como não perdoá-la? 😉

Cintia Santiago*

*Espero, sinceramente, que você saiba que o trecho acima com grifo meu refere-se ao livro O Pequeno Príncipe, de Antonie de Saint-Exupéry.


quarta-feira, julho 22, 2009

Under pressure

ou Deus é naja. E nós também.

Curioso. Quando tenho problemas sérios e graves é quando escrevo melhor (comentários do tipo  “mas vc escreve bem?” devem ser endereçados para vapraputaquepariu@gmail.com). Servia como uma luva quando eu tinha um blog diarinho, lá pelos idos de 2001, 2002. Hoje, não tenho mais interesse em me expor. Devo ter ficado medrosa no meio do caminho, receosa das manifestações do tipo “patricinha lobotomizada” que recebia no passado – e que me faziam gargalhar alto. Talvez eu, no alto dos meus 21 anos, fosse mais livre que hoje.

Pensando bem, não deveria ser assim. Deveria continuar com o “foda-se” ligado no turbo.

Já que o tal botão anda meio quebrado e a outra dona deste cafofo, dona Cintia Santiago, também não está nos seus melhores dias, nada melhor que buscar conforto em dois grandes mestres. Curiosamente, os dois eram gays e morreram em consequência da Aids.

O primeiro deles é Freddie Mercury, que não nos deixou só We are the champions, ao contrário do que alguns pensam por aí (na verdade, essas pessoas devem achar que tal música surgiu do imaginário popular). O Queen, banda capitaneada por Mercury (aliás, há algo mais britânico e mais gay que uma banda chamada Queen?), se juntou a David Bowie e arrebatou o mundo com Under Pressure, lançada em 1981 e considerada pelo VH1 uma das melhores músicas dos anos 1980.

Neste ano eu tive a grata surpresa de ver uns rapazes tocando a mesma música aqui em São Paulo (o vídeo não é do show daqui. um vídeo feito por alguém da plateia da apresentação em Sampa – arrepiante – pode ser visto aqui):

Notem que Tom Chaplin, vocalista do Keane, nasceu apenas 2 anos antes do lançamento de Under Pressure. A mãe dele não devia usar a  música como canção de ninar, né? Então, fica óbvia a influência do Queen em bandinhas outrora consideradas indies.

A letra?

Under Pressure – Queen e David Bowie

Mm ba ba de
Um bum ba de
Um bu bu bum da de
Pressure pushing down on me
Pressing down on you no man ask for
Under pressure – that burns a building down
Splits a family in two
Puts people on streets
Um ba ba be
Um ba ba be
De day da
Ee day da – that’s o.k.
It’s the terror of knowing
What this world is about
Watching some good friends
Screaming ‘Let me out’
Pray tomorrow – gets me higher
Pressure on people – people on streets
Day day de mm hm
Da da da ba ba
O.k.
Chippin’ around – kick my brains around the floor
These are the days it never rains but it pours
Ee do ba be
Ee da ba ba ba
Um bo bo
Be lap
People on streets – ee da de da de
People on streets – ee da de da de da de da
It’s the terror of knowing
What this world is about
Watching some good friends
Screaming ‘Let me out’
Pray tomorrow – gets me higher high high
Pressure on people – people on streets
Turned away from it all like a blind man
Sat on a fence but it don’t work
Keep coming up with love
but it’s so slashed and torn
Why – why – why ?
Love love love love love
Insanity laughs under pressure we’re cracking
Can’t we give ourselves one more chance
Why can’t we give love that one more chance
Why can’t we give love give love give love give love
give love give love give love give love give love
‘Cause love’s such an old fashioned word
And love dares you to care for
The people on the edge of the night
And love dares you to change our way of
Caring about ourselves

This is our last dance
This is our last dance
This is ourselves
Under pressure

Under pressure
Pressure

(grifo meu)

O segundo rapaz a nos salvar em momentos como este é ele, sempre ele, Caio Fernando Abreu. Já escrevi tanto sobre o escritor gaúcho aqui neste blog que pareço monotemática. Hum. Pensando bem, sou mesmo.

De todas as obras-primas que ele nos deixou, Deus é naja deve ser a mais conhecida. Nunca leu? Leia. Já leu um milhão de vezes, como eu? Cá vai mais uma:

Deus é naja

Caio Fernando Abreu

Estás desempregado? Teu amor sumiu? Calma: sempre pode pintar uma jamanta na esquina.

Tenho um amigo, cujo nome, por muitas razões, não posso dizer, conhecido como o mais dark. Dark no visual, dark nas emoções, dark nas palavras: darkésimo. Não nos conhecemos há muito tempo, mas imagino que, quando ainda não havia darks, ele já era dark. Do alto de sua darkice futurista, devia olhar com soberano desprezo para aquela extensa legião de paz e amor, trocando flores, vestida de branco e cheia de esperança.

Pode parecer ilógico, mas o mais dark dos meus amigos é também uma das pessoas mais engraçadas que conheço. Rio sem parar do humor dele – humor dark, claro. Outro dia esperávamos um elevador, exaustos no fim da tarde, quando de repente ele revirou os olhos, encostou a cabeça na parede, suspirou bem fundo e soltou essa: -“Ai, meu Deus, minha única esperança é que uma jamanta passe por cima de mim…” –  Descemos o elevador rindo feito hienas.

Devíamos ter ido embora, mas foi num daqueles dias gelados, propícios aos conhaques e às abobrinhas. Tomamos um conhaque no bar. E imaginamos uma história assim: você anda só, cheio de tristeza, desamado, duro, sem fé nem futuro. Aí você liga para o Jamanta Express e pede: -“Por favor, preciso de uma jamanta às 20h15, na esquina da rua tal com tal. O cheque estará no bolso esquerdo da calça”. Às 20h14, na tal esquina (uma ótima esquina é a Franca com Haddock Lobo, que tem aquela descidona) , você olha para esquina de cima. E lá está- maravilha!- parada uma enorme jamanta reluzente, soltando fogo pelas ventas que nem um dragão de história infantil.

O motorista espia pela janela, olha para você e levanta o polegar. Você levanta o polegar: tudo bem. E começa a atravessar a rua. A jamanta arranca a mil, pneus guinchando no asfalto. Pronto: acabou. Um fio de sangue escorrendo pelo queixo, a vítima geme suas últimas palavras: -“Morro feliz. Era tudo que eu queria…”

Dia seguinte, meu amigo dark contou: – “Tive um sonho lindo. Imagina só, uma jamanta toda dourada…” Rimos até ficar com dor na barriga. E eu lembrei dum poema antigo de Drummond. Aquele Consolo na Praia, sabe qual? “Vamos não chores / A infância está perdida/ A mocidade está perdida/ Mas a vida não se perdeu” – ele começa, antes de enumerar as perdas irreparáveis: perdeste o amigo, perdeste o amor, não tens nada além da mágoa e solidão. E quando o desejo da jamanta ameaça invadir o poema – Drummond, o Carlos, pergunta: “Mas, e o humour?” Porque esse talvez seja o único remédio quando ameaça doer demais: invente uma boa abobrinha e ria, feito louco, feito idiota, ria até que o que parece trágico perca o sentido e fique tão ridículo que só sobra mesmo a vontade de dar uma boa gargalhada. Dark, qual o problema?


Deus é naja – descobrimos outro dia.

O mais dark dos meus amigos tem esse poder, esse condão. E isso que ele anda numa fase problemática. Problemas darks, evidentemente. Naja ou não, Deus (ou Diabo?) guarde sua capacidade de rir descontroladamente de tudo. Eu, às vezes, só às vezes, também consigo. Ultimamente, quase não. Porque também me acontece – como pode estar acontecendo a você que quem sabe me lê agora – de achar que tudo isso talvez não tenha a menor graça. Pode ser: Deus é naja, nunca esqueça, baby.

Segure seu humor. Seguro o meu, mesmo dark: vou dormir profundamente e sonhar com uma jamanta. A mil por hora.

(grifo meu)

O conto foi publicado em Pequenas Epifanias, livro esgotadíssimo. Pena.

Filosofia de botequim ou não, me junto aos dois gênios – um da música, outro da literatura. A vida, por si só, já é ruim demais normalmente. Às vezes ela fica pior, como agora. Só há duas soluções: ligar pro Jamanta Express (mas, no meu caso, o cheque no bolso da calça ia ser totalmente sem fundos) ou rir descontroladamente de tudo.Mesmo que a gente esteja Under Pressure. Eu escolho – sempre – a segunda opção.

Nádia Lapa, que tá indo ali consertar o botãozinho

domingo, junho 28, 2009

Música é perfume

Filed under: Música,Pessoal — O escritor @ 00:28
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As lembranças e a saudade caminham juntas quase o tempo todo.

É bem cafona tudo isto que escrevo abaixo, mas como já tenho a convicção de que sou, de fato, um tanto brega, tô nem aí para o que alguém possa dizer.

Não deve haver um ser humano lúcido neste planeta que não goste de música. Independente do ritmo, do estilo, da língua, ouvir uma canção pode tornar o exercício da audição algo infinitamente superior – metafísico, mesmo.

A música é como perfume; traz a lembrança de alguém. Além disso, remete a algum momento, um a fato interessante. Pra mim, certas músicas trazem – imediatamente – a recordação e a saudade de pessoas queridas e adoráveis.

A minha lista de canções não faz muito sentido. Mas quem disse que deveria fazer?

Samba do avião – Tom Jobim

She Moves In Her Own Way – The Kooks

Dindi – Tom Jobim /Aloysio de Oliveira / Ray Gilbert

Transparente – Paulo Abreu Lima / Rui Veloso

La Vie En Rose – Edith Piaf

Saúde – Rita Lee

Melodia SentimentalHeitor Villa-Lobos / Dora Vasconcelos

Outono no Rio – Ed Motta

Faça a sua, também.

Cintia Santiago

sábado, junho 27, 2009

Cansei.

Filed under: absurdo,Esse mundo não tem jeito,Falta de noção,Pessoal — Nádia Lapa @ 14:57

(post pessoal, como costumo fazer de vez em quando e ninguém entende nada)

Cansei. Cansei das pessoas. Cansei da hipocrisia dominante. Cansei de demagogia. Cansei de sentimentalismo barato. Cansei de falta de solidariedade. Cansei, simplesmente.

Isto não é uma carta suicida ou coisa que o valha. É apenas um desabafo contra as milhares de pessoas que cruzam nossos caminhos, seja pessoalmente, num atendimento de telemarketing, no Twitter, ou que escrevem absurdos em blogs ou nos comentários do Globo Online – e a gente acaba tendo a terrível infelicidade de ler. Pior são aqueles que temos a obrigação social de conviver, como colegas de trabalho ou faculdade/escola/curso. Família, então, nem se fala. Muitos dos que compartilham nosso mesmo código genético simplesmente não dividem absolutamente mais nada conosco. A afinidade é zero, deixando uma secreta vontade de que aquelas pessoas simplesmente sumam do planeta Terra.

Às vezes, porém, chega a hora de gritarmos essa vontade ao mundo.

É o que faço agora.

Dois gatilhos me fizeram pensar nisso tudo. O primeiro deles, menos importante e mais óbvio, foi a morte de Michael Jackson. As demonstrações de tristeza coletiva, por parte daqueles que há uma semana – e aqui eu me incluo – falavam mal das bizarrices do popstar, me irritam. Achei uma grande perda pelo que MJ FOI, não pelo que era agora. Reconheço a infância difícil e os traumas que ele devia carregar, mas se eu não tenho essa complacência com quem está ao meu lado, por que teria com alguém que jamais conheci? Digo e repito aos meus amigos: todo mundo sofre, todo mundo tem problemas, e o que nos diferencia é como enfrentamos estas vicissitudes da vida.

Como cantor/popstar/revolucionário, porém, lamento imensamente a morte de Michael Jackson. Mas não virou santo, desculpem-me.

O segundo gatilho, conhecido por quem me conhece mais de perto, é a doença da minha avó. Ela sofreu um AVC dia 3 de maio, e até hoje permanece internada. Maio foi um mês dificílimo pra mim, mas não tenho tempo para ficar me lamentando. Terminaram minhas provas e eu imediatamente entrei num avião para vir ficar com ela.

Odeio Manaus, não sou feliz aqui e sofro horrores com o calor. Minha ideia de férias não é, definitivamente, ficar dentro de um quarto de hospital horas a fio. Mesmo assim, cá estou, tentando entender as coisas ininteligíveis que ela diz, ferrando a minha coluna cada vez mais quando tenho que movimentá-la, me desesperando – sorrindo, sempre – a cada vez que ela fica mais pálida.

Não sou Madre Teresa de Calcutá ao fazer tudo isso. De jeito nenhum. Acho até que faço menos do que deveria. Tudo o que tenho feito é minha obrigação moral como neta e como ser humano.

Alguns familiares pensam de forma diversa. Dois dos filhos dela (ela tem 4) sequer ligam para saber como ela está. Dos netos (são 10), somente 2 aparecem com frequência – e uma delas sou eu. Noras? Piada, né?

Comentando sobre esta situação com a Marcela, minha amiga de faculdade e que escreve aqui, ela disse: “Incrível como essas coisas acontecem em toda família”. Indeed, Marcela, indeed. Sei que a família Lapa não é a única no mundo a sofrer com isso. INFELIZMENTE, digo com sinceridade (quase escrevo um “digo sinceramente”, mas achei que era advérbio de modo demais para uma frase tão pequena. adoro advérbios de modo, mas não percebo isso).

Gostaria que isto só se abatesse sobre a minha famíia. Mas sei que não é assim. Então, me digam: se as pessoas ficam tão tristes com a morte de alguém em outro hemisfério, por qual razão elas não se preocupam com aqueles que estão ao seu lado? Por que são indiferentes à dor física, moral e emocional de familiares e amigos? Por que não se compadecem com a falta de grana de um amigo? Por que dão pés na bunda sem remorso? Por que veem cidades sendo alagadas por chuva e pelo-rio-negro-que-não-para-de-subir e não doam uma única peça de roupa?

Outro dia, numa entrevista, uma pessoa me disse: “caridade começa em casa”. Fato. Cuide de quem está perto de você. Não fazer isso e emocionar-se vendo TV ou conclamando revoluções via Twitter é feio, bobo e mau.

Get a life. Move. Não seja fake. Se não der pra evitar, por favor não cruze o meu caminho.

Nádia Lapa, tolerância zero

quarta-feira, junho 17, 2009

Resumo da situação

Filed under: Pessoal — O escritor @ 09:15
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Do Aurélio. Sim, o Buarque de Holanda Ferreira.

surtar
[De surto + -ar2.]
Verbo intransitivo.

1.
Bras. Fam. Apresentar, mais ou menos repentinamente, sintomas associados às psicoses; ter um surto psicótico.

Explicação para o exposto: estado atual das duas redatoras-editoras deste diário.

Previsão de alta: sexta-feira, dia dezenove de junho, a partir das vinte e duas horas.

Cintia Santiago


quinta-feira, maio 21, 2009

A vida é uma merda

Filed under: Pessoal — Nádia Lapa @ 16:44
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Este post é pessoal e não tem nada de midcult, cult ou coisa que o valha.

Estava fazendo um post sobre como devemos aprender com os outros. Falava da minha avó, que estava com um lado do corpo paralisado e já está conseguindo movimentá-lo.

Com 88 anos e um quadro clínico grave, está fazendo todo o esforço pra melhorar.

Daí vim toda animada pro trabalho, achando super legal o dia de sol , pensando quão besta eu era por me deixar abater.

Eis que recebo a grande notícia de que meu sobrinho de 3 anos está com pneumonia.

Pensando bem, a vida é uma merda, mesmo.

Nádia Lapa

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