Midcult

terça-feira, setembro 1, 2009

Marina Silva no país das “maravilhas”

A notícia publicada pelo G1 sobre a entrevista de Marina Silva – nova integrante do Partido Verde – ao Programa do Jô nos permite uma série de questionamentos, dentre os quais podemos enumerar:

1) Por que Jô Soares não se muda pro Tibet e para de fazer as perguntas descabidas que lhe são peculiar? É, no mínimo, de mau gosto – quiçá antiético – questionar a ex-petista sobre quem ela apoiará na reta final da eleição. Alô? Por mais que o PV seja irrelevante, a função do entrevistador não é ser tendencioso.

2) Por que Roney Domingos não editou as aspas da entrevistada? Por quê? Ah, já sei, deve ser mais cômodo usar simplesmente o “copiar e colar”. A gente só não é obrigado a ler uma aspa cheia de repetições da linguagem oral ou algo completamente sem sentido – reparem nessa frase: ” ‘O desmatamento continua caindo até hoje, com risco de crescer, agora que o país voltou a crescer, graças a Deus’, afirmou.”. Ok, Roney, agora traduz pra tia Cintia o que Marina Silva quis dizer com isso!

3) Por que não me chamaram pra escrever esse texto? Até com o sono que estou agora – e sob os efeitos das substâncias consumidas pela Vanusa – eu faria melhor.

Jesus, apaga a luz e fecha a porta que eu vou é dormir!

Cintia Santiago

sábado, agosto 15, 2009

Cala a boca, William

Filed under: Burrice,Celebridades,Meninos que amamos — Nádia Lapa @ 13:57
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Todos sabem que sou absolutamente apaixonada por William Bradley Pitt. Mas ele está testando até onde esse amor resiste, só pode. Primeiro casou com a mulher que tem as mãos mais feias do planeta, e agora fica falando absurdos por aí sobre maconha.

Primeiro, disse que queria se candidatar a governador nos EUA e que sua plataforma política seria a liberação do fumo. Agora, disse em entrevista que enrola um cigarrinho de maconha tão bem que mais parece “um artista”.

Vamos ficar com uma imagem de Brad Pitt calado que é melhor:

Cala a boca, William!

Cala a boca, William!

Nádia Lapa

quarta-feira, agosto 5, 2009

Rio, eu gosto de você

– Não sei o que você vê nessa cidade…

– O que eu vejo nela passa bem longe de qualquer coisa que você possa supor.

– Lá só tem favela e aquele povo folgado que entra no ônibus sem camisa.

– E aqui tem o quê? Claro, os engravatados que não dizem “bom dia” quando entram no elevador. Hã rã, sensacional.

– O Rio de Janeiro sempre teve inveja de São Paulo.

– Que preguiça, meu deus…

– Acho brega essa foto no seu computador. O Rio de Janeiro não é tão bonito assim.

– Lógico, bonito é você de terno e gravata… Ah, e com essa cara de quem precisa nascer de novo.

Cintia Santiago

terça-feira, julho 14, 2009

Lição básica de gramática

O uso da crase é um bicho de sete cabeças para a maioria das pessoas. Não consigo entender certos erros de português, mas mesmo que você seja complacente com quem erra, há coisas inadmissíveis.

Na Veja desta semana (sempre ela!), a Garoto publicou um anúncio de página inteira com DUAS crases erradas. Segundo o site da própria Abril, um anúncio em página indeterminada na revista custa 216 mil reais. Isso sem contar o custo da agência de publicidade, que não deve ter sido barato. Afinal, foi a W a responsável por tamanha burrice.

A responsável pela imagem é a Madrastra do Texto Ruim.Para ver a explicação da moça acerca de tamanha asneira, clique aqui.

Publicitários, contratem revisores, por favor. Tem uma pá de jornalista desempregado…

Nádia Lapa

sábado, julho 11, 2009

Em que mundo vive Antonio Banderas?

A Folha Online publicou na versão eletrônica do caderno Ilustrada uma nota da agência France Presse, na qual o ator espanhol Antonio Banderas declarou estar surpreso com o fato de o cinema independente ter sido atingido pela crise econômica mundial.

Na boa, em que planeta ele vive? Se a famigerada crise “atacou” até o pipoqueiro da esquina, por que ela não abalaria justamente as produções cinematográficas independentes? Aquelas que não têm a fortuna de Hollywood nem em tempos de “vacas gordas”.

Eu sei que alguns setores foram menos abalados. Outros tiveram maiores prejuízos. Agora, dizer que foi uma “surpresa” é demais pro meu cérebro.

Não adianta fazer essa cara, não! Pagou mico

Cintia Santiago

Vai um intensivão de direito aí?

Por falar em micos jornalísticos, os erros em matérias que de alguma forma tenham relação com o direito não me dão vergonha alheia. Dão raiva. Antes, achava que era simples burrice do repórter. Hoje, com uma graduação em direito nas costas e na metade do curso de jornalismo, vejo que é burrice e incompetência.

O jornalista não sabe de tudo, mas ele conhece quem sabe. Esta é uma máxima repetida nos corredores das faculdades de jornalismo. Acho que deveriam ter mais noção de direito, sim. Mas, se acham isso sem importância, pelo menos telefonem pra aquele colega advogado pra que ele te ajude a escrever a matéria.

Jornalista, em geral, não sabe nem o que é tripartição de poderes e que o Ministério Público não é órgão do judiciário. Da mesma forma, vivem confundindo as bolas e acham, sempre, que a culpa da impunidade é dos juízes; não sabem que o inquérito policial tem prazo de 30 dias para ser concluído; ignoram a superlotação dos presídios e não têm a menor ideia do que sejam os direitos humanos. Uma vergonha.

Às vezes, porém, não sei se os jornalistas se escondem atrás do véu da burrice para fazerem sensacionalismo. É o caso de uma matéria do Globo Online sobre os criminosos que mataram um cachorro a pauladas no Rio Grande do Sul. Se você não está familiarizado com o assunto, uns dementes não só bateram no cão – for no reason -, como também filmaram por celular e colocaram no You Tube. Houve uma comoção no Twitter, e os rapazes acabaram sendo identificados.

Daí pelo menos três jornalistas (ClicRBS, Fabiana Parajara, O Globo) assinaram uma matéria com o título:

Sem flagrante, jovens que mataram cão a pauladas no Rio Grande do Sul não devem ir para cadeia, diz delegado

Li alguns comentários no Twitter sobre a impunidade no Brasil, sobre “não adianta nos mobilizarmos, a polícia faz  que quer”, e coisas afins.

Basta uma rápida consulta ao código penal para sabermos quais os requisitos para a prisão em flagrante:

Art. 302 – Considera-se em flagrante delito quem: 

I – está cometendo a infração penal; 
II – acaba de cometê-la; 
III – é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; 
IV – é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração.

Sim, presume-se que aquelas pessoas sejam autoras da infração, segundo o item IV acima. Mas notaram o “logo depois” ali? Pois é. Existem teorias que explicam essa parte temporal (observem que o inciso I fala do criminoso praticando o crime e vai distanciando temporalmente até o inciso IV). Para entendê-las, leia aqui.

Lembrem, também, que “vídeos do You Tube” não foram previstos pelo legislador; garanto que em 1940, ano do Código Penal, ninguém imaginava que a tecnologia chegaria ao ponto de hoje.

Não entende nada de Direito Penal? Bom, pelo menos a Constituição um jornalista deveria conhecer. Logo no artigo 5 (quinto), cujo título é “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”, vê-se os seguintes incisos:

LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei

LXV – a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária

LXVI – ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança

Logo, os rapazes não foram presos pois não se encontravam em flagrância. O inquérito será concluído e enviado ao Ministério Público, que aí sim decidirá se oferecerá a denúncia. Provavelmente o fará, e os acusados responderão o processo em liberdade. Ao final, se condenados, serão presos. É assim que o Estado Democrático de Direito funciona. O mesmo artigo 5 diz:

LIV – ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal

O contraditório e a ampla defesa são os pilares do nosso sistema jurídico. Defender tratamento diferente é apoiar a balbúrdia, a discricionaridade de um delegado de polícia e o cerceamento de defesa.

Um pouco de cultura, mesmo que seja midcult como esse blog inteiro – em especial este post, não faz mal a ninguém.

Nádia Lapa

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