Midcult

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Superando as expectativas

Eu sempre me pergunto: a que ponto a crueldade humana pode chegar? Descobri agora que ela não tem limites.

Segundo notícia do G1, um bando de vândalos – com pseudônimo de “adolescentes” – invadiu uma escola no Paraná e, não contente em destruir a instituição, matou seis filhotes de cachorro que moravam na escola. Como? Os infelizes jogaram os animais contra um ventilador ligado.

Agora me digam: existe castigo pra esse tipo de gente?

Não, nem a morte seria suficiente.

Cintia Santiago

quarta-feira, julho 15, 2009

Melancolia

Filed under: bizarrice,Esse mundo não tem jeito — O escritor @ 12:03
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A foto é da Agência Estado.

Conheço algumas pessoas que deram váááááários ataques por causa desta imagem. Eu, sinceramente, não consigo nem mais pensar a respeito.

Cintia Santiago

quarta-feira, julho 1, 2009

Mega vergonha alheia

Além do vergonhoso caso dos Piratas, o twitter e os blogs têm sido abalados pelo plágio da jornalista Cecília Santos.

Cecília trabalha no caderno de cultura do jornal O Estado, de Palmas, no Tocantins, mas poderia trabalhar em qualquer lugar com algum acesso à internet – o control c + control v da moça é frenético.

Descobriram a tática da jornalista com uma crítica ao filme Transformers 2. Escrito originalmente por Marcelo Hessel para o Omelete, o texto foi copiado integralmente; apenas a última linha do jornal foi adicionada, talvez para resolver problemas de diagramação.

Depois que a fraude foi revelada, surgiram diversos outros textos copiados por Cecília no passado. Com a internet, ficou muito mais prático copiar texto alheio, mas é muito mais fácil ainda descobrir.

Na Cásper Líbero, onde eu e Cintia estudamos, há um grande terrorismo por conta do plágio.  É óbvio que, apesar das ameaças, muita gente deve copiar ao menos trechos de outros autores para incluir no trabalho. Foi o que aconteceu com uma colega de classe ano passado. O exercício era em grupo e outras pessoas desconfiaram do texto impecável (não que as pessoas não sejam capazes disso, mas a linguagem de um texto mais acadêmico acaba sendo diferente do nosso – que tende a ser coloquial). Batata! Foi só jogar as frases no Google (sempre ele, o Santo das novas gerações) que se descobriu a fraude.

Não culpem só os jornalistas ou os estudantes da área. Ano passado, por exemplo, tirei umas fotos do Teatro Amazonas à noite, todo iluminado e com a árvore de Natal acesa. Não sou fotógrafa, mas confesso que a foto ficou bonita. Coloquei num álbum do Orkut. Não é que uma ex-colega de colégio colocou a imagem no próprio Orkut sem dar o crédito? E ela é da área da saúde.

Então, antes que comece o blábláblá sobre a exigência do diploma ter caído, reitero o que já disse antes: Ética (é, com E maiúsculo) não se aprende num banco de escola. Aos que defendem a moça, dizendo que ela não fez nada de mais, “coitada, mora no Tocantins”… pensem: e se fosse o SEU texto copiado? Quem mora nos lugares esquecidos do Brasil tem passe-livre da cadeia? Então por qual razão a CPI da Pedofilia esteve (ou está, não sei ao certo) em Manaus? Ora, parte dos acusados é de Coari, uma cidade cercada de floresta por todos os lados. Por estarem “esquecidos” neste lado do Brasil eles poderiam justificar seus atos?

Ética e moral existem – ou deveriam existir – em todos os lugares. Vale pra todo mundo, não importando profissão, classe social ou posição geográfica. Sabemos que não é assim. A certeza da impunidade e as defesas furadas de quem afronta a moral é que permitem que se continue agindo dessa maneira.

Leu e gostou? Dê o crédito. Pergunte ao autor se pode usar o texto. Coloque aspas. Às vezes a gente pensa “putz, isso tá perfeito, queria eu escrever desta maneira”, né? (Eu penso isso quando leio alguns textos do Caio Fernando Abreu, Antônio Prata, Milton Hatoum, Nabokov e tantos outros.) Mas, se alguém já fez isso antes e você não consegue superar, admire, dê o feedback positivo. Não engane. É muito mais desmoralizante ser visto como amoral do que como incompetente.

Nádia Lapa

Ah, sobre o assunto, leia:

Comunique-se

Justificando o injustificável

A culpa é do diagramador

Mais Cecília Santos…


sábado, junho 27, 2009

Cansei.

Filed under: absurdo,Esse mundo não tem jeito,Falta de noção,Pessoal — Nádia Lapa @ 14:57

(post pessoal, como costumo fazer de vez em quando e ninguém entende nada)

Cansei. Cansei das pessoas. Cansei da hipocrisia dominante. Cansei de demagogia. Cansei de sentimentalismo barato. Cansei de falta de solidariedade. Cansei, simplesmente.

Isto não é uma carta suicida ou coisa que o valha. É apenas um desabafo contra as milhares de pessoas que cruzam nossos caminhos, seja pessoalmente, num atendimento de telemarketing, no Twitter, ou que escrevem absurdos em blogs ou nos comentários do Globo Online – e a gente acaba tendo a terrível infelicidade de ler. Pior são aqueles que temos a obrigação social de conviver, como colegas de trabalho ou faculdade/escola/curso. Família, então, nem se fala. Muitos dos que compartilham nosso mesmo código genético simplesmente não dividem absolutamente mais nada conosco. A afinidade é zero, deixando uma secreta vontade de que aquelas pessoas simplesmente sumam do planeta Terra.

Às vezes, porém, chega a hora de gritarmos essa vontade ao mundo.

É o que faço agora.

Dois gatilhos me fizeram pensar nisso tudo. O primeiro deles, menos importante e mais óbvio, foi a morte de Michael Jackson. As demonstrações de tristeza coletiva, por parte daqueles que há uma semana – e aqui eu me incluo – falavam mal das bizarrices do popstar, me irritam. Achei uma grande perda pelo que MJ FOI, não pelo que era agora. Reconheço a infância difícil e os traumas que ele devia carregar, mas se eu não tenho essa complacência com quem está ao meu lado, por que teria com alguém que jamais conheci? Digo e repito aos meus amigos: todo mundo sofre, todo mundo tem problemas, e o que nos diferencia é como enfrentamos estas vicissitudes da vida.

Como cantor/popstar/revolucionário, porém, lamento imensamente a morte de Michael Jackson. Mas não virou santo, desculpem-me.

O segundo gatilho, conhecido por quem me conhece mais de perto, é a doença da minha avó. Ela sofreu um AVC dia 3 de maio, e até hoje permanece internada. Maio foi um mês dificílimo pra mim, mas não tenho tempo para ficar me lamentando. Terminaram minhas provas e eu imediatamente entrei num avião para vir ficar com ela.

Odeio Manaus, não sou feliz aqui e sofro horrores com o calor. Minha ideia de férias não é, definitivamente, ficar dentro de um quarto de hospital horas a fio. Mesmo assim, cá estou, tentando entender as coisas ininteligíveis que ela diz, ferrando a minha coluna cada vez mais quando tenho que movimentá-la, me desesperando – sorrindo, sempre – a cada vez que ela fica mais pálida.

Não sou Madre Teresa de Calcutá ao fazer tudo isso. De jeito nenhum. Acho até que faço menos do que deveria. Tudo o que tenho feito é minha obrigação moral como neta e como ser humano.

Alguns familiares pensam de forma diversa. Dois dos filhos dela (ela tem 4) sequer ligam para saber como ela está. Dos netos (são 10), somente 2 aparecem com frequência – e uma delas sou eu. Noras? Piada, né?

Comentando sobre esta situação com a Marcela, minha amiga de faculdade e que escreve aqui, ela disse: “Incrível como essas coisas acontecem em toda família”. Indeed, Marcela, indeed. Sei que a família Lapa não é a única no mundo a sofrer com isso. INFELIZMENTE, digo com sinceridade (quase escrevo um “digo sinceramente”, mas achei que era advérbio de modo demais para uma frase tão pequena. adoro advérbios de modo, mas não percebo isso).

Gostaria que isto só se abatesse sobre a minha famíia. Mas sei que não é assim. Então, me digam: se as pessoas ficam tão tristes com a morte de alguém em outro hemisfério, por qual razão elas não se preocupam com aqueles que estão ao seu lado? Por que são indiferentes à dor física, moral e emocional de familiares e amigos? Por que não se compadecem com a falta de grana de um amigo? Por que dão pés na bunda sem remorso? Por que veem cidades sendo alagadas por chuva e pelo-rio-negro-que-não-para-de-subir e não doam uma única peça de roupa?

Outro dia, numa entrevista, uma pessoa me disse: “caridade começa em casa”. Fato. Cuide de quem está perto de você. Não fazer isso e emocionar-se vendo TV ou conclamando revoluções via Twitter é feio, bobo e mau.

Get a life. Move. Não seja fake. Se não der pra evitar, por favor não cruze o meu caminho.

Nádia Lapa, tolerância zero

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