Midcult

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Superando as expectativas

Eu sempre me pergunto: a que ponto a crueldade humana pode chegar? Descobri agora que ela não tem limites.

Segundo notícia do G1, um bando de vândalos – com pseudônimo de “adolescentes” – invadiu uma escola no Paraná e, não contente em destruir a instituição, matou seis filhotes de cachorro que moravam na escola. Como? Os infelizes jogaram os animais contra um ventilador ligado.

Agora me digam: existe castigo pra esse tipo de gente?

Não, nem a morte seria suficiente.

Cintia Santiago

sábado, dezembro 26, 2009

Sou mais um Hachi

Sim. Estou viva e continuo sendo uma das donas deste blog, que, aliás, ainda possui uma proprietária “fantasma”.

O Menino Jesus já nasceu – daqui a pouco ele morre de novo e ressuscita. E assim os cristãos seguem suas vidas. Esse pequeno nariz de cera serve para exemplificar que o sentimento de compaixão e carinho não necessariamente faz parte da raça humana.

Estava eu hoje a comer feito uma louca no shopping Pátio Paulista, aqui em São Paulo. Sim, é aquele que foi transformado numa mal-sucedida versão do Pátio Higienópolis. Vejam:

Ok, voltando à pauta. Enquanto eu, ao mesmo tempo em que comia, falava feito uma matraca – coisa rara –, comecei a ouvir uma pessoa gritar de maneira deselegante (e alguém grita de maneira charmosa?), chamando a atenção de TODOS na praça de alimentação. Desvio o olhar de minha interlocutora e me foco na cena. Um ser humano do sexo feminino berrava com o dedo em riste para uma funcionária da limpeza, alegando ter sido “atropelada” pelo carrinho que a moça empurrava para recolher os pratos sujos.

Com quase trinta anos, eu ainda me surpreendo com as pessoas. Uma mulher descontrolada, acusando uma funcionária de agressão. Vocês podem dizer: “Ué, qual o erro de alguém ao se defender de uma violência?”. Eu respondo: Nenhum! O que me chocou nessa história toda foi a maldade de um ser humano em acusar outra pessoa por algo que esta não fez. A funcionária apenas desviou o carrinho da mesa oposta à da “agredida”, para não encostá-lo numa pessoa que lá sentava. Consequentemente, o carrinho passou muito próximo à descompensada, que começou a xingar a funcionária como se não houvesse amanhã.

Não satisfeita, a infeliz foi falar com dois seguranças do shopping para reclamar do “absurdo”. Ah, não tive dúvida: larguei minha comida e fui até os dois homens para dizer o quão estapafúrdia era a história contada pela louca. Eles, sem autonomia para qualquer decisão, me pediram para fazer a “reclamação” por escrito no serviço de atendimento ao cliente do shopping. La fui eu.

Ao terminar toda a versão da bíblia – sou um pouco verborrágica -, contendo o que realmente havia ocorrido, me deparo com a débil mental que provocou o escândalo. Eu achava que já tinha ouvido o suficiente para um só dia, mas a dita cuja fez o favor de gritar aos quatro cantos que era “advogada e estava acostumada a fazer reclamações e petições”.

Só me arrependo de não ter dito a ela: “Querida, pega o seu diploma de Direito e enfia no cu, porque você não possui algo que jamais será lecionado na academia: educação e respeito pelo próximo!”.

Não. Não sou hipócrita, tão pouco tenho vocação para Madre Tereza de Calcutá. Mas existem coisas que qualquer ser humano com o mínimo de dignidade não é capaz de suportar. E eu, muitas vezes, tenho pena de alguns, tamanha a sua mesquinhez.

A saga não acabou. Parti de “defensora dos frascos e comprimidos” para “a mulherzinha que chora no cinema”. Fui assistir ao filme Sempre ao seu lado, com Richard Gere e Joan Allen.

O longa é a adaptação de uma  tradicional história japonesa. Parker Wilson, interpretado por Gere, é um professor universitário, que ao voltar de uma viagem, encontra um cachorrinho abandonado. Depois de tentar achar o dono do animal, sem sucesso, a família do professor acaba ficando com ele. Hachi, o cãozinho, pertence a uma raça de muita tradição no Japão: os Akitas são cães milenares que têm como característica a lealdade fora do comum para com o dono.

E é o que acontece no filme. Durante os noventa minutos, Parker e Hachi constroem uma relação de amizade, afeto e lealdade. Desde a primeira aparição do filhote – em uníssono a platéia reagiu com um “Ooohnnnnn” – até a última cena, uma coisa é certa: você verá um belo exemplo de como a relação entre homem e cão pode ser melhor do que a do primeiro com sua própria espécie. Vide primeira parte deste post.

Duvido que consigam passar imune ao trailer:

Gostaria de ter um Hachi pra mim.

Cintia Santiago

sexta-feira, novembro 13, 2009

Eu tenho pança, e você?

Filed under: absurdo — Nádia Lapa @ 11:10
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Eu devia estar escrevendo um texto cujo prazo já foi adiado duas vezes. Mas pelo Twitter cheguei a um link que traz fotos de biquini da Geisy (ou Geysi), a “loura da Uniban”. E não pude me calar.

A esta altura, creio ser dispensável dizer de quem se trata, ou ainda dar minha opinião sobre a perseguição à moça na faculdade, bem como a palhaçada da reitoria da “universidade” em expulsá-la, depois voltar atrás, etc. Muito já foi dito sobre isso. Incrivelmente, há sempre os espíritos-de-porco que acham que a vítima é a culpada.

Mas voltando às fotos de biquini, os comentários no blog que postou as imagens (não vou dar o link) são os mais absurdos. Chegaram a este ponto:

Cara de vadia.
Pose de vadia.
Corpo da minha tia.
Aliás, seria uma ofensa pra minha tia. akosokakopskopapok

Dos 11 comentários publicados até agora, meio dia de uma sexta-feira 13, somente um é “elogioso” ao chamar a garota de “Gordelícia”. Há quem diga que “até a tia da faxina deve ta (sic) melhor que ela”. Este comentário foi postado 5:47 da manhã. Duvido que este ser humano estivesse se preparando pra ir malhar. Deve ter passado a noite online, comendo besteira e vendo sites “impróprios para menores”.

Deixa eu ver se entendi: não basta a menina ter sido perseguida e xingada na faculdade, ter tido a vida invadida por milhares de olhos ávidos por sensacionalismo, agora ela vai ser execrada porque não tem o corpo perfeito?

Fica a pergunta: quem de nós o tem? Qual desses homens que a xingam (inclusive um jornalista por quem eu nutria um certo respeito) tem alguma semelhança com o Brad Pitt? Qual de nós está satisfeita com a aparência física? Quantos de nós gostariam de poder pagar um personal trainer, um cirurgião plástico ou uma drenagem linfática? Ou, melhor ainda, ter uma genética a la Gisele Bundchen?

O pior nem é sermos todos feios, pançudinhos e de cabelo ruim. Como nós, há seis bilhões de pessoas com os mesmos defeitos e crises existenciais. O pior é darmos valor exacerbado à vaidade e criticarmos uns aos outros sem o mínimo de educação ou compaixão a quem nos é semelhante.

É muito mais feio ser grosseiro do que ter celulite. Pros desvios de caráter não há photoshop que dê jeito.

terça-feira, setembro 1, 2009

Marina Silva no país das “maravilhas”

A notícia publicada pelo G1 sobre a entrevista de Marina Silva – nova integrante do Partido Verde – ao Programa do Jô nos permite uma série de questionamentos, dentre os quais podemos enumerar:

1) Por que Jô Soares não se muda pro Tibet e para de fazer as perguntas descabidas que lhe são peculiar? É, no mínimo, de mau gosto – quiçá antiético – questionar a ex-petista sobre quem ela apoiará na reta final da eleição. Alô? Por mais que o PV seja irrelevante, a função do entrevistador não é ser tendencioso.

2) Por que Roney Domingos não editou as aspas da entrevistada? Por quê? Ah, já sei, deve ser mais cômodo usar simplesmente o “copiar e colar”. A gente só não é obrigado a ler uma aspa cheia de repetições da linguagem oral ou algo completamente sem sentido – reparem nessa frase: ” ‘O desmatamento continua caindo até hoje, com risco de crescer, agora que o país voltou a crescer, graças a Deus’, afirmou.”. Ok, Roney, agora traduz pra tia Cintia o que Marina Silva quis dizer com isso!

3) Por que não me chamaram pra escrever esse texto? Até com o sono que estou agora – e sob os efeitos das substâncias consumidas pela Vanusa – eu faria melhor.

Jesus, apaga a luz e fecha a porta que eu vou é dormir!

Cintia Santiago

quarta-feira, agosto 5, 2009

Rio, eu gosto de você

– Não sei o que você vê nessa cidade…

– O que eu vejo nela passa bem longe de qualquer coisa que você possa supor.

– Lá só tem favela e aquele povo folgado que entra no ônibus sem camisa.

– E aqui tem o quê? Claro, os engravatados que não dizem “bom dia” quando entram no elevador. Hã rã, sensacional.

– O Rio de Janeiro sempre teve inveja de São Paulo.

– Que preguiça, meu deus…

– Acho brega essa foto no seu computador. O Rio de Janeiro não é tão bonito assim.

– Lógico, bonito é você de terno e gravata… Ah, e com essa cara de quem precisa nascer de novo.

Cintia Santiago

quarta-feira, julho 1, 2009

Mega vergonha alheia

Além do vergonhoso caso dos Piratas, o twitter e os blogs têm sido abalados pelo plágio da jornalista Cecília Santos.

Cecília trabalha no caderno de cultura do jornal O Estado, de Palmas, no Tocantins, mas poderia trabalhar em qualquer lugar com algum acesso à internet – o control c + control v da moça é frenético.

Descobriram a tática da jornalista com uma crítica ao filme Transformers 2. Escrito originalmente por Marcelo Hessel para o Omelete, o texto foi copiado integralmente; apenas a última linha do jornal foi adicionada, talvez para resolver problemas de diagramação.

Depois que a fraude foi revelada, surgiram diversos outros textos copiados por Cecília no passado. Com a internet, ficou muito mais prático copiar texto alheio, mas é muito mais fácil ainda descobrir.

Na Cásper Líbero, onde eu e Cintia estudamos, há um grande terrorismo por conta do plágio.  É óbvio que, apesar das ameaças, muita gente deve copiar ao menos trechos de outros autores para incluir no trabalho. Foi o que aconteceu com uma colega de classe ano passado. O exercício era em grupo e outras pessoas desconfiaram do texto impecável (não que as pessoas não sejam capazes disso, mas a linguagem de um texto mais acadêmico acaba sendo diferente do nosso – que tende a ser coloquial). Batata! Foi só jogar as frases no Google (sempre ele, o Santo das novas gerações) que se descobriu a fraude.

Não culpem só os jornalistas ou os estudantes da área. Ano passado, por exemplo, tirei umas fotos do Teatro Amazonas à noite, todo iluminado e com a árvore de Natal acesa. Não sou fotógrafa, mas confesso que a foto ficou bonita. Coloquei num álbum do Orkut. Não é que uma ex-colega de colégio colocou a imagem no próprio Orkut sem dar o crédito? E ela é da área da saúde.

Então, antes que comece o blábláblá sobre a exigência do diploma ter caído, reitero o que já disse antes: Ética (é, com E maiúsculo) não se aprende num banco de escola. Aos que defendem a moça, dizendo que ela não fez nada de mais, “coitada, mora no Tocantins”… pensem: e se fosse o SEU texto copiado? Quem mora nos lugares esquecidos do Brasil tem passe-livre da cadeia? Então por qual razão a CPI da Pedofilia esteve (ou está, não sei ao certo) em Manaus? Ora, parte dos acusados é de Coari, uma cidade cercada de floresta por todos os lados. Por estarem “esquecidos” neste lado do Brasil eles poderiam justificar seus atos?

Ética e moral existem – ou deveriam existir – em todos os lugares. Vale pra todo mundo, não importando profissão, classe social ou posição geográfica. Sabemos que não é assim. A certeza da impunidade e as defesas furadas de quem afronta a moral é que permitem que se continue agindo dessa maneira.

Leu e gostou? Dê o crédito. Pergunte ao autor se pode usar o texto. Coloque aspas. Às vezes a gente pensa “putz, isso tá perfeito, queria eu escrever desta maneira”, né? (Eu penso isso quando leio alguns textos do Caio Fernando Abreu, Antônio Prata, Milton Hatoum, Nabokov e tantos outros.) Mas, se alguém já fez isso antes e você não consegue superar, admire, dê o feedback positivo. Não engane. É muito mais desmoralizante ser visto como amoral do que como incompetente.

Nádia Lapa

Ah, sobre o assunto, leia:

Comunique-se

Justificando o injustificável

A culpa é do diagramador

Mais Cecília Santos…


sábado, junho 27, 2009

Cansei.

Filed under: absurdo,Esse mundo não tem jeito,Falta de noção,Pessoal — Nádia Lapa @ 14:57

(post pessoal, como costumo fazer de vez em quando e ninguém entende nada)

Cansei. Cansei das pessoas. Cansei da hipocrisia dominante. Cansei de demagogia. Cansei de sentimentalismo barato. Cansei de falta de solidariedade. Cansei, simplesmente.

Isto não é uma carta suicida ou coisa que o valha. É apenas um desabafo contra as milhares de pessoas que cruzam nossos caminhos, seja pessoalmente, num atendimento de telemarketing, no Twitter, ou que escrevem absurdos em blogs ou nos comentários do Globo Online – e a gente acaba tendo a terrível infelicidade de ler. Pior são aqueles que temos a obrigação social de conviver, como colegas de trabalho ou faculdade/escola/curso. Família, então, nem se fala. Muitos dos que compartilham nosso mesmo código genético simplesmente não dividem absolutamente mais nada conosco. A afinidade é zero, deixando uma secreta vontade de que aquelas pessoas simplesmente sumam do planeta Terra.

Às vezes, porém, chega a hora de gritarmos essa vontade ao mundo.

É o que faço agora.

Dois gatilhos me fizeram pensar nisso tudo. O primeiro deles, menos importante e mais óbvio, foi a morte de Michael Jackson. As demonstrações de tristeza coletiva, por parte daqueles que há uma semana – e aqui eu me incluo – falavam mal das bizarrices do popstar, me irritam. Achei uma grande perda pelo que MJ FOI, não pelo que era agora. Reconheço a infância difícil e os traumas que ele devia carregar, mas se eu não tenho essa complacência com quem está ao meu lado, por que teria com alguém que jamais conheci? Digo e repito aos meus amigos: todo mundo sofre, todo mundo tem problemas, e o que nos diferencia é como enfrentamos estas vicissitudes da vida.

Como cantor/popstar/revolucionário, porém, lamento imensamente a morte de Michael Jackson. Mas não virou santo, desculpem-me.

O segundo gatilho, conhecido por quem me conhece mais de perto, é a doença da minha avó. Ela sofreu um AVC dia 3 de maio, e até hoje permanece internada. Maio foi um mês dificílimo pra mim, mas não tenho tempo para ficar me lamentando. Terminaram minhas provas e eu imediatamente entrei num avião para vir ficar com ela.

Odeio Manaus, não sou feliz aqui e sofro horrores com o calor. Minha ideia de férias não é, definitivamente, ficar dentro de um quarto de hospital horas a fio. Mesmo assim, cá estou, tentando entender as coisas ininteligíveis que ela diz, ferrando a minha coluna cada vez mais quando tenho que movimentá-la, me desesperando – sorrindo, sempre – a cada vez que ela fica mais pálida.

Não sou Madre Teresa de Calcutá ao fazer tudo isso. De jeito nenhum. Acho até que faço menos do que deveria. Tudo o que tenho feito é minha obrigação moral como neta e como ser humano.

Alguns familiares pensam de forma diversa. Dois dos filhos dela (ela tem 4) sequer ligam para saber como ela está. Dos netos (são 10), somente 2 aparecem com frequência – e uma delas sou eu. Noras? Piada, né?

Comentando sobre esta situação com a Marcela, minha amiga de faculdade e que escreve aqui, ela disse: “Incrível como essas coisas acontecem em toda família”. Indeed, Marcela, indeed. Sei que a família Lapa não é a única no mundo a sofrer com isso. INFELIZMENTE, digo com sinceridade (quase escrevo um “digo sinceramente”, mas achei que era advérbio de modo demais para uma frase tão pequena. adoro advérbios de modo, mas não percebo isso).

Gostaria que isto só se abatesse sobre a minha famíia. Mas sei que não é assim. Então, me digam: se as pessoas ficam tão tristes com a morte de alguém em outro hemisfério, por qual razão elas não se preocupam com aqueles que estão ao seu lado? Por que são indiferentes à dor física, moral e emocional de familiares e amigos? Por que não se compadecem com a falta de grana de um amigo? Por que dão pés na bunda sem remorso? Por que veem cidades sendo alagadas por chuva e pelo-rio-negro-que-não-para-de-subir e não doam uma única peça de roupa?

Outro dia, numa entrevista, uma pessoa me disse: “caridade começa em casa”. Fato. Cuide de quem está perto de você. Não fazer isso e emocionar-se vendo TV ou conclamando revoluções via Twitter é feio, bobo e mau.

Get a life. Move. Não seja fake. Se não der pra evitar, por favor não cruze o meu caminho.

Nádia Lapa, tolerância zero

quarta-feira, junho 24, 2009

O coronelismo…

Filed under: absurdo — O escritor @ 14:32
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Continuando o momento “tem coisas que só o Brasil faz por você”, fiquei até agora tentando me esconder embaixo da mesa depois da última declaração de nosso excelentíssimo presidente – sim, o Lula. Ele simplesmente disse que a – mais nova – crise no Senado não deve ser transformada em “causa nacional”, já que, na maioria das vezes, as denúncias “não dão em absolutamente nada”.

Sério, é verdade que ele disse isso, mesmo? Ou eu tomei muito guaraná em pó e tô delirando? Ok, ok, eu sou ingênua e esqueço que com o Sarney no comando do Senado não pode haver outro cenário. O “rei” do Maranhão.

E com outro comandante a “casa” estaria diferente?

Pois bem, lá vamos nós… a seguir nossa rotina, a aumentar a popularidade do Lula e a colocar mais um nariz de palhaço. Não é à toa que se vê gente vestida de Bozo por aí.

Cintia Santiago

Brasília, Brasília…

Filed under: absurdo — Nádia Lapa @ 10:48
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Estou aqui lutando com essa internet a lenha (em teoria, banda larga da TIM. Ok, then) e lendo notícias.

Muito do que eu li ainda é acerca da queda da obrigatoriedade do diploma para jornalista, uma das maiores aberrações que já tinha visto vir de Brasília. Mas aqueles rapazes e moças de toga são capazes de nos surpreender mais e mais a cada semana.

Em outra corte (desta vez foi o STJ), os ministros absolveram dois homens que contrataram os “serviços” de duas adolescentes, que à época tinham 12 e 13 anos.

Segundo os ministros, que certamente não têm filhas ou estão totalmente desconectados da realidade brasileira – o que é gravíssimo para quem se pretende guardião da sociedade, os criminosos não iniciaram as garotas na prostituição. Como elas já eram “conhecidas” na cidade, os “clientes” não cometeram crime.

Oi? Oi? Semana passada o STF rasgou o diploma de 60 mil jornalistas do Brasil, ofendeu qualquer pessoa que tenha alguma noção do que é liberdade de expressão e queimou livros de teóricos como Bourdieu e Walter Benjamin. Agora, o STJ acabou de incinerar a Constituição, juntando o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Código Penal.

Aqui jaz a moral e o bom-senso deste país.

Nádia Lapa

ps: Direito for dummies – O STF julga casos que têm relação com a Constituição, enquanto o STJ julga os demais casos.

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