Midcult

sábado, dezembro 26, 2009

Sou mais um Hachi

Sim. Estou viva e continuo sendo uma das donas deste blog, que, aliás, ainda possui uma proprietária “fantasma”.

O Menino Jesus já nasceu – daqui a pouco ele morre de novo e ressuscita. E assim os cristãos seguem suas vidas. Esse pequeno nariz de cera serve para exemplificar que o sentimento de compaixão e carinho não necessariamente faz parte da raça humana.

Estava eu hoje a comer feito uma louca no shopping Pátio Paulista, aqui em São Paulo. Sim, é aquele que foi transformado numa mal-sucedida versão do Pátio Higienópolis. Vejam:

Ok, voltando à pauta. Enquanto eu, ao mesmo tempo em que comia, falava feito uma matraca – coisa rara –, comecei a ouvir uma pessoa gritar de maneira deselegante (e alguém grita de maneira charmosa?), chamando a atenção de TODOS na praça de alimentação. Desvio o olhar de minha interlocutora e me foco na cena. Um ser humano do sexo feminino berrava com o dedo em riste para uma funcionária da limpeza, alegando ter sido “atropelada” pelo carrinho que a moça empurrava para recolher os pratos sujos.

Com quase trinta anos, eu ainda me surpreendo com as pessoas. Uma mulher descontrolada, acusando uma funcionária de agressão. Vocês podem dizer: “Ué, qual o erro de alguém ao se defender de uma violência?”. Eu respondo: Nenhum! O que me chocou nessa história toda foi a maldade de um ser humano em acusar outra pessoa por algo que esta não fez. A funcionária apenas desviou o carrinho da mesa oposta à da “agredida”, para não encostá-lo numa pessoa que lá sentava. Consequentemente, o carrinho passou muito próximo à descompensada, que começou a xingar a funcionária como se não houvesse amanhã.

Não satisfeita, a infeliz foi falar com dois seguranças do shopping para reclamar do “absurdo”. Ah, não tive dúvida: larguei minha comida e fui até os dois homens para dizer o quão estapafúrdia era a história contada pela louca. Eles, sem autonomia para qualquer decisão, me pediram para fazer a “reclamação” por escrito no serviço de atendimento ao cliente do shopping. La fui eu.

Ao terminar toda a versão da bíblia – sou um pouco verborrágica -, contendo o que realmente havia ocorrido, me deparo com a débil mental que provocou o escândalo. Eu achava que já tinha ouvido o suficiente para um só dia, mas a dita cuja fez o favor de gritar aos quatro cantos que era “advogada e estava acostumada a fazer reclamações e petições”.

Só me arrependo de não ter dito a ela: “Querida, pega o seu diploma de Direito e enfia no cu, porque você não possui algo que jamais será lecionado na academia: educação e respeito pelo próximo!”.

Não. Não sou hipócrita, tão pouco tenho vocação para Madre Tereza de Calcutá. Mas existem coisas que qualquer ser humano com o mínimo de dignidade não é capaz de suportar. E eu, muitas vezes, tenho pena de alguns, tamanha a sua mesquinhez.

A saga não acabou. Parti de “defensora dos frascos e comprimidos” para “a mulherzinha que chora no cinema”. Fui assistir ao filme Sempre ao seu lado, com Richard Gere e Joan Allen.

O longa é a adaptação de uma  tradicional história japonesa. Parker Wilson, interpretado por Gere, é um professor universitário, que ao voltar de uma viagem, encontra um cachorrinho abandonado. Depois de tentar achar o dono do animal, sem sucesso, a família do professor acaba ficando com ele. Hachi, o cãozinho, pertence a uma raça de muita tradição no Japão: os Akitas são cães milenares que têm como característica a lealdade fora do comum para com o dono.

E é o que acontece no filme. Durante os noventa minutos, Parker e Hachi constroem uma relação de amizade, afeto e lealdade. Desde a primeira aparição do filhote – em uníssono a platéia reagiu com um “Ooohnnnnn” – até a última cena, uma coisa é certa: você verá um belo exemplo de como a relação entre homem e cão pode ser melhor do que a do primeiro com sua própria espécie. Vide primeira parte deste post.

Duvido que consigam passar imune ao trailer:

Gostaria de ter um Hachi pra mim.

Cintia Santiago

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terça-feira, setembro 22, 2009

Pra quem gosta da Sétima Arte

Filed under: Cinema — O escritor @ 09:20
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Começa dia 24 a edição 2009 do Festival do Rio, mostra de cinema que acontece na Cidade Maravilhosa até 8 de outubro.

Há 3 anos (se não me falha a memória), estive nas salas cariocas prestigiando um dos festivais mais charmosos do Brasil.

O G1 divulgou a lista dos filmes. Para vê-la, clique aqui. Quer passear pelo site do Festival? Basta apertar o botão esquerdo do mouse neste link.

Se você é da cidade ou estará lá durante o evento, não perca a oportunidade de assistir a alguma película. Mas, pelamordedeus, não vá ficar hooooooras na fila pra ver um filme que entrará no circuito comercial, ok?

Cintia Santiago

terça-feira, julho 21, 2009

E o revisor, hein?

Vergonha alheia com dor no coração.

A Reserva Cultural, antes de enviar a propaganda por e-mail, deveria mandar alguém revisar esta merda:

Odeio gente que faz “serviço porco”.

Cintia Santiago

quarta-feira, julho 15, 2009

Se nada mais der certo

Não, não é o trecho de uma carta suicida. O título do post é nome de um filme brasileiro estrelado por Cauã Reymond (delícia), com estreia prevista para dia 14 de agosto.

O longa narra a história de um jornalista desempregado, que mora com uma dependente química e com o filho dela. Sem dinheiro para arcar com as depesas básicas de rotina, o repórter entra para o mundo do crime – auxiliado por um taxista desequilibrado, interpretado pelo ótimo ator João Miguel.

Presente em eventos importantes como o 11º Festival de Cinema Brasileiro de Paris e bem avaliado pela crítica especializada, a película promete ser um dos sucessos nacionais de 2009. Como eu não sou especialista e não assisti ao filme ainda, meu intuito é expor uma questão curiosa a respeito do personagem principal – o jornalista Leo.

Segundo Cauã Reymond, o repórter é um “perdedor” – bebe e fuma feito um louco. Ele afirma, ainda, em entrevista publicada no blog de Patrícia Kogut, que durante as gravações chegava a fumar um maço de cigarros por dia, além de ter “aprendido” a beber vodca e uísque.

Minha ideia não é criticar o uso de bebidas e o vício de fumar, até porque eu estaria sendo hipócrita se o fizesse. O que me chamou a atenção foi a questão de como se constrói um estereótipo. No caso, o jornalista que fuma e bebe – poderia ser qualquer outro: o músico boêmio, um escritor, enfim…

O estereótipo é uma versão mais simples do senso comum. Este último podemos caracterizar como um conjunto de valores e ideias compartilhados por toda a sociedade. Por consequência, uma figura estereotipada é aquela na qual o senso comum captura algumas de suas características e as exagera. Com isso, o estereótipo ganha o status de real e de verdade absoluta porque todo mundo o aceita como tal.

Quando toda esta gama de fatores encontra a intolerância, o preconceito surge. É curioso pensar nestes aspectos, não? Como a própria sociedade produz fatos, engendra personas e os destrói – com a mesma intensidade -, quando às vezes imaginamos que estas “armações” sejam feitas por um único ser ardiloso e sua mente destruidora.

Bom, enquanto não descobrimos uma fórmula secreta para resolver os problemas do mundo, vejamos o trailer do filme:

Cintia Santiago

segunda-feira, julho 13, 2009

Gotta love this

Tem como não A-M-A-R comédia romântica? E quando essa comédia romântica é cheia de referências midcult? Impossível.

Só nesse trailer, o primeiro diálogo é sobre a minha música favorita dos Smiths, There is a light that never goes out. A parte que ela canta é “to die by your side, is such a heavenly way to die”. Lindo, não? Cá está a versão original:

Um pouco mais tarde, a protagonista diz que acha que todo mundo tem que pegar geral. O rapazote pergunta, então, se ela não acredita no amor, dizendo “é amor, não papai noel”. Quando ele conversa sobre o pé na bunda que a moça deu nele, o conselho é que ele “get over it”, coisa que repetimos sempre aos nossos amigos, não é? Ele surpreende: “I don’t wanna get over it, I wanna get her back”. Onnnnnnnnnnnnnn

Ao final, eles falam que são um casal tipo Sid & Nancy *. Tem como não amar? Existe referência mais rock and roll do que esta?

Como se não bastasse, a “Summer” do título é Zooey Deschanel, a minha nova atriz favorita que terá um post só para ela.

Nos EUA, o filme estreia esta semana. No Brasil, só em novembro. Espero que passe na sala Premier do Cidade Jardim. 🙂

Nádia Lapa, que AMA comédias românticas, especialmente quando não tem Seth Rogen no elenco. Se bem que ela não gosta de Seth Rogen nem em comerciais de tv. Hum. Ela acharia melhor, na verdade, que ele não existisse. É, é isso aí.

* Sid Vicious foi baixista do Sex Pistols. Inglês, era filho de um guarda do Palácio de Buckingham (!!!!!!). Em 1977, Sid conheceu Nancy, uma conhecida groupie viciada em heroína. Os dois viveram uma curta e conturbada relação, onde partilhavam seringas e muitas brigas. As coisas chegaram em um nível em que Vicious largou a banda e fez apresentações solo. Em 1978, Nancy foi encontrada morta com uma facada na barriga. O músico foi acusado pelo crime, cumpriu parte da pena em Rikers (quem vê Law and Order está familiarizado com a prisão) e voltou pra casa pelo pagamento de fiança. Ele tinha feito uma rehab na cadeia, e estava limpo do vício das drogas. Eis que sua amorosa mãe, na festa de comemoração da soltura do filho, compra heroína. Sid tem overdose, mas a nova namorada consegue ressuscitá-lo. Eles vão dormir lindamente, mas Vicious nunca acorda. A overdose foi fatal. Ele tinha 22 anos.

sexta-feira, junho 26, 2009

Alice no País das Maravilhas tem data de lançamento marcada

O novo Alice no País das Maravilhas já tem data de lançamento marcada: 5 de março de 2010.

Estarei no cinema no final de semana de estreia, podem ter certeza. Isso porque Tim Burton (Noiva Cadáver, Edward Mãos de Tesoura, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, A Fantástica Fábrica de Chocolate, Sweeney Todd e o MARAVILHOSO Big Fish, entre outros filmes lindos e também diretor do vídeo de Bones, do The Killers) produz e dirige o filme e o amado Johnny Depp (precisa dizer quem é?) estrela o longa. Como se não bastasse, ainda é em 3D!

As primeiras imagens do filme já estão circulando na internet. Veja algumas delas aqui embaixo:

Mágico, não?

Mágico, não?

Mia Wasikowska vive Alice no filme

Mia Wasikowska vive Alice no filme

Johnny Depp, maravilhoso como sempre, na pele do Chapeleiro Maluco

Johnny Depp, maravilhoso como sempre, na pele do Chapeleiro Maluco, Louco, sei lá como traduzem isso

Nada mau tomar um chá com Mr. Depp neste cenário, né?

Nada mau tomar um chá com Mr. Depp neste cenário, né?

Anne Hathaway (O diabo veste Prada) também está no elenco do longa

Anne Hathaway (O diabo veste Prada) também está no elenco do longa

Helena Bonham Carter (esposa de Tim Burton, btw) não poderia faltar

Helena Bonham Carter (esposa de Tim Burton, btw) não poderia faltar

Anote na agenda e acompanhe o novíssimo site do filme.

Nádia Lapa

sexta-feira, maio 1, 2009

Pseudo-resenha: Divã

Filed under: Cinema — Nádia Lapa @ 01:38
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Hoje fui ao cinema para me desligar do mundo. Tenho vividos dias pesados e precisava espairecer. Pois Divã, novo filme do diretor José Alvarenga Jr. (Os Normais – filme e programa de TV, Você Decide, Sai de Baixo, Princesa Xuxa e os Trapalhões e Robin Hood, entre outros), é uma ótima opção pra relaxar. 

Claro que os cenários e figurino quase sempre em tons de azul cansa; que não é verossímil que se tenha DRs em cima de prédios; e que seria muito melhor se a chata da Ana Carolina não estivesse na trilha sonora. Mas, a verdade é que o filme quer arrebanhar grandes públicos e música de cantora conhecida ajuda, né?

So far, so good. Há duas semanas em cartaz, já levou aos cinemas mais de 500 mil espectadores. A peça de mesmo nome também foi um grande sucesso de público. Tanto no filme quanto no teatro a estrela é Lília Cabral, que vive a Mercedes de Martha Medeiros com brilhantismo para alguns. Pra mim, as personagens das novelas do Manoel Carlos estão tão impregnadas na atriz que não dá pra comprar a personagem do longa.

Outro ator que vive nas novelas ambientadas no Leblon e protagonizadas por Helenas é José Mayer, que no filme faz o papel de Gustavo, marido da personagem principal. Alexandra Richter, vivendo Mônica, amiga de longa data de Mercedes, consegue aparecer bastante, apesar do papel secundário.

Li diversas críticas sobre a visão estereotipada que o filme traz sobre os gays, mulheres e quarentonas. Hello-o! Em que planeta essas pessoas vivem? É óbvio que há cenas forçadas, como a de quando Mercedes e Mônica vão a uma boate e a primeira fica “entrevada” na pista de dança. Criticar isso é não ter a menor noção do que é cinema. No mais, pessoas passam sim por situações ridículas e MUITOS gays são exatamente iguais ao cabeleireiro do filme.  Pessoas politicamente corretas cansam. Deveras. 

Sou uma grande fã de Martha Medeiros. O último livro dela que li, Doidas e Santas, me fez até ficar mais boazinha. Contudo, não li Divã. Assim, não posso opinar sobre a adaptação cinematográfica, mas meu “achismo” me diz que o livro é melhor. Se você não quer dar uma de mané que nem eu e ir ver o filme sem ter lido o livro, em diversas lojas ele está sendo vendido por pouco mais de 20 reais – com direito a uma entrada para o filme. 

Divã é um filme pra divertir, mas que muitas mulheres de quarenta irão se identificar. Pra quem nunca passou pela experiência de uma separação, como eu, pelo menos as gargalhadas estão garantidíssimas. A cena de Lília Cabral no banheiro da The Week é de chorar de ir (tive que tirar os óculos para limpar minhas lágrimas). 

Valeu o ingresso.

Cotação: se você pagar meia, não perca. Se não, considere esperar pra ver na TV. 

Nádia Lapa

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