Midcult

sexta-feira, julho 3, 2009

Thanks, but no, thanks

Acho que já deu pra perceber que nós não somos politicamente corretas.  Também é possível notar que quase tudo por aqui se baseia em achismo. Então vamos lá criticar algo sem nenhum embasamento científico.

Quando eu era criança existiam aqueles cigarrinhos de chocolate. Dizem que eles eram feitos à imagem e semelhança dos cigarros de verdade, mas a minha memória teima e diz que eles eram um pouco menores que os cigarros reais.

Os cigarrinhos de chocolate Pan foram os mais vendidos na década de 1980
Os cigarrinhos de chocolate Pan foram os mais vendidos na década de 1980

Tamanho diferente ou não, o fato é que eles eram pelo menos semelhantes, e comer aqueles cigarrinhos trazia não só o prazer do chocolate, mas era uma brincadeira, também. Era “coisa de adulto”, numa época em que os fumantes não eram vistos como os grandes criminosos da humanidade.

Quem não viveu aquela época, pode imaginar o que é para uma criança “dirigir” carros de brinquedo hoje ou “cozinhar” em panelinhas cor-de-rosa – nada mais do que a exteriorização da ideia fixa de crescer logo (triste o mundo onde meninos ganham volantes de brinquedo, enquanto as meninas ficam com vassouras, tábuas de passar, tanquinhos…).

A Garoto também entrou na onda
A Garoto também entrou na onda

Meu sobrinho não poderá experimentar este mesmo prazer infantil, pois a Anvisa tem uma resolução, de 2002, que proíbe a fabricação, comercialização, importação e vários outros “ãos” de alimentos com aparência de cigarros, cigarrilhas, charutos e afins.

A justificativa da Agência é de que dados da Organização Mundial de Saúde indicam que quem comeu os tais cigarrinhos de chocolate têm 4 vezes mais chances de se tornar um fumante, pois estas pessoas relacionam o prazer do chocolate ao do fumo.

Não sei se levaram em conta a questão cultural que o cigarro carrega. Até hoje muitos jovens começam a fumar pela “transgressão”, mesmo motivo que levou a minha mãe a colocar um cigarro na boca há mais de quarenta anos. Outros querem ser cool e não ficar fora do grupo. Alguns só tem mau gosto, mesmo.

Eu, que não sou cool, não sou transgressora, tenho pais fumantes e vivi assistindo filmes de Hollywood, não sou fumante. Pior! Horror dos horrores: fumei muito cigarrinho de chocolate!

Éramos três irmãos. Minha irmã começou a fumar quando morava nos EUA e não tinha idade para comprar cigarro – alguém comprava por ela (eis aí o fator “transgressão”). Um belo dia, já de volta ao Brasil, decidiu que era brega fumar, e parou. Num piscar de olhos. Ela faleceu uns 10 anos depois, e não mais voltou a fumar, mesmo estando cercada de fumantes.

Eu, aos 29 anos, já experimentei cigarro. Até achava gostoso aqueles Gudang, mas enjoava antes de acabar e me entediava com aquilo facilmente. Meu relacionamento com o cigarro vindo de Java durou não mais que um verão.

Já meu irmão é um fumante inveterado. Sabe dos malefícios do cigarro, mas não quer parar de fumar.

Nós três fomos criados da mesma forma, compramos muito Hollywood pra minha mãe (“vai lá que te espero no carro”), somos do tempo em que a Marlboro patrocinava carros velozes e as embalagens de cigarro não tinham fotos horríveis e nem tarjas explicativas dos malefícios do fumo. E seguimos caminhos diferentes.

Culpar uma indústria por escolhas pessoais é muito pra minha cabeça.

Se for assim, vamos proibir:

1) A venda do cigarro itself, né? Afinal, o cigarrinho de chocolate poderia provocar cáries e obesidade; o de verdade causa tudo aquilo que vocês estão carecas de saber. Ah, claro… A Pan (fábrica dos cigarrinhos) não era uma Souza Cruz, nem uma Philip Morris, né?

2) Proíbam imediatamente a Fries e o Thunder do Outback. Aproveitem a deixa e impeçam a rede de restaurantes de fazer a Ribs. São viciantes e provocam obesidade MÓRBIDA, o que leva a problemas cardíacos e derrames cerebrais, sem contar o mal que ser gordo faz à auto estima (antes que me joguem pedras, uma info: sou gorda).

3) Carrinhos de supermercado cor-de-rosa? Mini geladeiras de brinquedo? Proíbam! Isso só corrobora essa sociedade machista em que vivemos e coloca as mulheres em uma posição inferior aos homens!

A lista poderia ser infinita. Brincadeiras à parte, sei que no exterior ainda vendem estes cigarros de chocolate. O que é melhor: eles REALMENTE parecem com os de verdade.

"Cigarros de chocolate podem causar cárie" hahhahaha
“Cigarros de chocolate podem causar cárie” hahhahaha

Não tenho um real pra ir ali na esquina comprar uma tapioca, mas no dia que eu viajar pra fora do país, irei fazer um contrabando de cigarros de chocolate.  Dá pra comprar aqui e aqui.

Nádia Lapa

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sábado, junho 27, 2009

Politicamente correto: afasta de mim esse cálice!

Filed under: Uncategorized — Nádia Lapa @ 11:51
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(ou: “afasta de mim e se cale”, como algumas pessoas acreditam que a frase seja)

Com a morte do Michael Jackson, muitas pessoas fizeram piada, como o jornal Meia Hora, do Rio (que na capa dizia que MJ tinha sido negro, branco e agora ia virar cinza).

A piada óbvia só não teve graça por questões de timing – ela já havia sido feita over and over again no dia anterior, data em que MJ faleceu.

Apesar de ser solidária à dor alheia, com uma sensibilidade um pouco maior que os demais (por já ter perdido alguém muito próximo e de maneira inesperada), acho essa mania de politicamente correto um pé no saco.

Por isso, indico este post abaixo sobre o assunto. E assino embaixo.

Revista M e o politicamente incorreto

Nádia Lapa

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