Midcult

terça-feira, setembro 8, 2009

As mais tocadas em 8 de setembro

Num mundo em que a mulherada se empolga quando toca Piriguete na night (juro. meninos, eu vi!), olhar pra história da música pode ser uma saída para enxergarmos se temos salvação. Será que temos?

Preciso dizer qual a primeira colocada de 8 de setembro de 2009? É I Gotta a Feeling, do Black Eyed Peas. A ideia é batida: “todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite”, diria Toni Garrido. Os Black Eyed Peas estenderam isso pra todos os dias da semana. Só isso. E colocaram a Fergie pagando de gostosa (gata, você não nos engana. Até Lady Gaga é mais feminina que você). Mas, confesso: eu gosto da música. Daqui a umas 3 horas eu não mais aguentarei ouvi-la, pois ela toca demais.

Há dois anos, a metade-homem-metade-mulher Fergie também era a primeira colocada. Com a bizarra Big Girls Don’t Cry. Se você nunca prestou atenção na letra (fez bem, aliás), ela diz que sente falta do carinha como um bebê sofre com a falta do cobertor (???). God.

Os anos 2000 estão mais pra Piriguete, mesmo.

A década de 1990 nos deixou pelo menos duas primeiras colocadas que ainda tocam como se tivessem sido lançadas mês passado. I don’t want to miss a thing, do Aerosmith, de 1998, e ela… a mais dançada around the world desde 1996:

Olhando as melhores da década de 1980, vi que 8 de setembro é o dia das músicas grudentas. Checa a primeira em 1983:

Eu juro que não queria colocar aqui. Juro. Mas no topo da Billboard de 1989 estava uma música que toca meu coração. Perdoem-me. Eu tinha nove anos (não é uma das minhas favoritas, tá? sim, eu tenho músicas favoritas do New Kids on the Block).

Pra fechar o post, que já está longo demais, mais uma música hiper bem sucedida até hoje. Since 1973:

Ah, pra vocês concordarem comigo acerca das “músicas grudentas de 8 de setembro”, vejam só a lista: Blaze of Glory, Bon Jovi (1990); Sweet child of mine, do Guns (1988); I shot the sheriff, Eric Clapton (1974) e Help!, Beatles (1965).

Agora já sabe: quer lançar uma música que pegue? Tente o finalzinho de agosto. Sucesso na certa.

Nádia Lapa

segunda-feira, maio 18, 2009

Xerox, fotocópia e autenticada

Ok, esse post deveria ter sido publicado no sábado, mas eu me esqueci (como era de se esperar).

É inacreditável a quantidade de covers de I heard it through the gravepine. A própria versão de Marvin Gaye, que julgamos ser a original, não o é.

Composta em 1966 por Norman Whitfield e Barrett Strong, a canção teria sido gravada primeiro por The Miracles. Há relatos de que o The Isley Brothers também entraram em estúdio para gravar a canção. O certo é que a primeira versão lançada foi a de Gladys Knight & The Pips, em 25 de setembro de 1967. 

Mas foi com Marvin Gaye que a música ficou conhecida no mundo todo. A Rolling Stone americana coloca a canção em 80 lugar na sua lista de 500 melhores músicas de todos os tempos. Ele não era fraco, definitivamente: a mesma revista o considera o sexto melhor cantor “of all times”.

Essa seria a versão origininal da música:

O “Príncipe do Soul” fez enorme sucesso também com Sexual Healing, Let’s get it on, How sweet it is (to be loved by you), entre outras. Apesar de antigas, as canções têm um quê de modernidade que as tornam populares até hoje.

Prova disso é a curiosa mixagem de I heard com She sells sanctuary, do The Cult. 

(achei muito boa, aliás)

A atualidade fica óbvia também com a escolha da canção pelos participantes do American Idol. Danny Gokey, que chegou ao Top 3 da edição atualmente no ar, a usou na fase de testes.  A música foi a escolhida pelo estranho Kevin Covais.  A vencedora da terceira temporada do programa, Fantasia Barrino, também foi de Marvin Gaye. 

Apesar do enorme sucesso, Marvin Gaye entrou em depressão. Tentou suicidar-se algumas vezes, e a morte acabou vindo de maneira trágica. Durante discussão familiar, o pai do cantor atirou no filho em 1 de abril de 1984, véspera do aniversário de 45 anos de Gaye. Ironicamente, a arma utilizada foi um presente dado a Marvin Sr. quatro meses antes do crime.

Marvin Sr. foi condenado a 6 anos de “probation” (algo como condicional) após se declarar culpado. A pena foi pequena pois se descobriu que ele tinha um tumor cerebral. Ele acabou morrendo de pneumonia em 1998.

Mesmo após a morte, Marvin Gaye continua sendo um nome fortíssimo no meio musical. Homenagens pós-morte se multiplicaram: o lugar do cantor no Rock and Roll Hall of Fame e no Hollywood’s Rock Walk, bem como a estrela na Calçada da Fama foram garantidos.

Homenagem ainda maior, porém, é a infindável quantidade de versões de I heard through the gravepine. A minha favorita, sem dúvida nenhuma, é a da banda britânica Kaiser Chiefs, que se apresentou no Planeta Terra, em São Paulo, ano passado – esbanjando simpatia. Confesso que tendo a gostar mais da versão dos anos 2000 do que a dos anos 1960.

(o vídeo não é original)

Mas há versões pra todos os gostos. Amy Winehouse, os ingleses do The Slits, os australianos do Doug Anthony All Stars, os Funk Brothers com o Ben Harper (em ótima versão), as malas do Creedence, John Mayer  e Elton John  também entraram na dança.

Escolha a sua favorita!

Nádia Lapa, que vota pelo Kaiser Chiefs

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