Midcult

terça-feira, julho 28, 2009

Mimimi

Filed under: Falta de noção — Nádia Lapa @ 00:04
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Sou gorda, loira (falsa) e nortista (é, é isso mesmo. nem tudo que está acima do rio/são paulo é norte, tá? tem nordeste, também. ). Numa tacada só, faço parte de três ditas minorias. Mas eu não paro por aí: sou honesta e heterossexual! Minoria é pouco!

Já perdi as contas de quantas vezes me perguntaram se eu andava de cipó em Manaus ou me disseram que sou modelo de bujão de gás. As piadinhas relativas à minha cidade natal por muitas vezes me fazem ter pena do interlocutor; desconhecer que Manaus tem 2 milhões de habitantes é gravíssimo, então me resta lamentar pela ignorância alheia. Quanto à minha forma física, confesso por muitas vezes ter me deixado abalar pelos comentários. É verdade, porém, que o problema está comigo, com a minha baixa auto estima. Afinal, também já tive a alcunha de “Olívia Palito”, e me incomodava do mesmo jeito. Então, vê-se que meu problema é muito mais interior que exterior.

Sobre ser loira… Bom, eu mesma faço piada disso.

Assim, não consigo entender a comoção que os recentes comentários do Danilo Gentili, do CQC, estão tendo na mída. Segundo os portais online de hoje, a procuradoria federal de São Paulo está estudando entrar com ação contra o humorista por conta de um comentário feito no Twitter de Gentili. Ei-lo:

Logo após ter postado a frase acima, Gentili sofreu duras críticas. Depois, explicou-se – ou, pelo menos, tentou:

Sigo Gentili no Twitter, pois de vez em quando ele manda bem. Confesso que muitas vezes acho as piadas sem graça, grosseiras e por vezes conservadoras demais, mas acho que o unfollow é sempre serventia da casa.

Agora, ONGs de defesa dos negros afrodescendentes estão querendo crucificar o rapaz. Até a hipótese de ação penal está sendo levantada.

Sou absolutamente contra racismo e discriminação. Mas, convenhamos, todos nós fazemos piadinhas com gordos (há um milhão de piadas), asiáticos (pau pequeno), nerds (come-ninguém), flamenguistas/corintianos (ladrões, arruaceiros e afins), advogados (pilantras), portugueses (burros). A lista é infinita. Vamos parar com tudo isso, também?

Hipocrisia no cu dos outros é refresco.

Para ler mais a respeito:

Folha de S. Paulo

Um passinho à frente

O próprio Gentili fala a respeito do caso em seu blog

Discordo absolutamente do autor, mas…

Último segundo

Nádia Lapa, gorda, loira, nortista e pobre

sexta-feira, junho 26, 2009

Too bad for you

Filed under: Música — Nádia Lapa @ 12:30
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Eu escrevi por poucas semanas em um conhecido blog de música. Comecei a receber críticas de alguns leitores e dos autores originais do blog por estar “saindo do perfil” (o blog é de indie rock). Um dos exemplos: tinha falado de Michael Jackson. Confesso desconhecer se os meninos haviam feito uma pesquisa qualitativa para saber o que os leitores de lá gostariam de saber, mas como o blog era deles… No final das contas, resolvi sair de lá. Se as pessoas não têm ideia do que foi Michael Jackson na década de 1980, too bad for them.

O sucesso do “exótico” cantor pode ser traduzido em números (todos da Billboard):

– Thriller ficou 37 semanas no topo da lista de álbuns mais vendidos;

– Na sua carreira solo, Michael colocou 13 músicas na primeira posição.

Mesmo com a decadência, os ingressos para os 50 shows marcados para este ano na Inglaterra foram vendidos num piscar de olhos.

Algumas pessoas usam esses números para tentar entender o fenômeno Michael Jackson. Só quem viveu a época, porém, pode ter a real compreensão do que ele significou. Não estou falando que sou foda por ter vivido isso, não. Minha mãe viveu Beatles e Elvis. A geração logo após a dela viu The Doors. A minha irmã, três anos mais velha que eu, chegou a ir a um show da Legião Urbana. Nunca tive essa sorte. As gerações vindouras verão coisas que não terão impacto relevante sobre mim, que estarei velha.

Contudo, é inegável que não há hoje um sucessor para Michael Jackson. Ao lado de Madonna, ele revolucionou a música nos anos 1980. Algumas mulheres são apontadas como sucessoras da cantora (como a Lady Gaga – ?????????), mas não se ouve falar de qualquer popstar com a estrela de Jackson.

Num mundo sem You Tube ou compartilhamento de músicas online, Michael Jackson fez pessoas dançaram o seu Moonwalk em Manaus e em Nova York. No Piauí e em Londres. Em cada canto do mundo havia alguém com medo do vídeo de Thriller.

Mesmo sabendo da relevância do Rei do Pop, não vamos fingir tristeza. Não vamos falar dele nos nossos blogs para aumentar audiência. Exteriorize um lamento só se você de fato o sentir. E isso vale pra qualquer aspecto da sua vida. Seja honesto consigo e com os outros.

Nádia Lapa, que lamenta verdadeiramente a perda de Michael Jackson – que não aconteceu ontem, mas sim em algum momento desconhecido ao longo da vida do cantor

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