Midcult

domingo, novembro 22, 2009

They can read my mind

Filed under: Uncategorized — Nádia Lapa @ 16:08
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Local: Chácara do Jockey. Rolava um trauma pelo confuso show do Radiohead na mesma estância.

Cidade: São Paulo, terra de gente estranha que não interage muito em shows.

Tempo: chuva. MUITA chuva. E a certeza que a Chácara havia virado um charco.

Banda: The Killers, uma das minhas favoritas de todos os tempos, mas que olhava com desconfiança em apresentações ao vivo desde o Tim Festival (do Rio), em 2007.

No caminho para a Chácara, a conjunção destes quatro fatores me fez até confessar que, se não fosse por Brandon Flowers, eu não iria. “Só vou porque sou fã”, disse.

Ainda bem que eu fui.

Já nos primeiros acordes de Human, toda a chuva, lama, o cheiro de maconha, os pés encharcados… nada disso fez mais diferença. Brandon Flowers, o vocalista da banda, surgiu com uma jaqueta que só pode ter sido roubada das Paquitas, da Xuxa. Felizmente, ele se livrou logo logo do adereço e, com uma roupa toda preta, conquistou os corações de todo mundo ali. Não é tão difícil quando se tem no repertório Somebody Told Me (ouvir de novo “you had a boyfriend who looked like a girlfriend…” ao vivo é priceless), Bones, Mr. Brightside e Spaceman… Quando Brandon Flowers emendou um trechinho de Can’t help falling in love, do Elvis, com A dustland fairytale, então… matou. A sensação é exatamente esta: morri e fui pro céu.

Eu prefiro que o céu não tenha tanta lama, mas já que não tem jeito, só nos resta aproveitar. A galera cantou TUDO. Parece que a chuva fez bem aos paulistanos, normalmente tão comedidos em shows. Eu só vi coisa parecida no show da Madonna, em dezembro de 2008.

Neste vídeo aqui a imagem tá ruim, mas dá pra ter ideia de como a galera cantou junto:

A banda tocou Human novamente, desta vez com Brandon ao piano. Ele até errou notas. Não tinha importância. Ele havia acabado de nos chamar de “corajosos” por termos ido lá:

A primeira parte do show terminou com All these things that I’ve done, com direito a uma chuva de papel picado. Quase ninguém arredou o pé. Claro que sempre tem aquelas pessoas que “fogem do tumulto” e saem antes do bis (na boa? você pagou pelo menos 100 reais pra estar ali, mais 50 de estacionamento, está com lama até a alma e vai embora antes de When you were young?).

Logo eles voltaram pro bis. A primeira foi Jenny was a friend of mine. Flowers, bem mais simpático do que na apresentação no Rio em 2007, avisou: “Esta é a última música, mas vamos tocar ‘as hard as we can'”. E pediu pra que o público os acompanhasse na batida. Nem precisava: a catarse era coletiva. Era hora de When you were young.

Pena. Eu poderia ficar ali pulando e gritando por mais umas duas horas antes de lembrar que tenho lombalgia. Eu poderia ouvir This river is wild, Under the gun,  Romeo and Juliet (cover de Dire Straits), Why do I keep counting e Losing touch. Mas tudo foi tão absolutamente perfeito (inclusive por não ter tocado Uncle Johnny e Andy, you’re a star) que não dá nem pra reclamar.

Eu saí de lá sorrindo, com barro até o joelho, com perda total no meu all star, com os cabelos de louca varrida. Só me senti assim uma vez: na saída do show do R.E.M. no Rock in Rio 3. E isso não é pouca coisa.


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1 Comentário »

  1. Eu sai do show do Muse com o ombro amortecido (passei quatro horas espremida contra a grede), num frio abaixo de zero em Dublin, e no caminho de volta pro hostel – andando – eu so conseguia ouvir Plug In Baby tocando em loop na minha cabeca.

    So quem ama musica (e rock’n’roll) entende.

    Bj, lindona.

    Comentário por Vi — domingo, novembro 22, 2009 @ 16:15 | Responder


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