Midcult

sábado, maio 23, 2009

Os budas de João

Como se não bastasse toda a sorte de acontecimentos malucos que vemos todos os dias, agora vêm os portugueses meterem a colher no angu do João Ubaldo Ribeiro.

Tá parecendo um japonês aí

Tá parecendo um japonês

O livro A Casa dos Budas Ditosos – esta delícia do escritor baiano, nascido na Ilha de Itaparica – foi censurado por uma rede de lojas de Portugal – a Jumbo, do Grupo Auchan; consideraram a obra pornográfica. Vem cá, será que eles sabem da existência de mulheres melancia-morango-laranja-melão e o “diabo aquático”? Se for pra falar da putaria brasileira, vamos fazer a coisa direito.

Mas, acabado o momento “revolta”, voltemos ao deleite.

Lançado em 1999, a obra faz parte da Coleção Plenos Pecados, série da Editora Objetiva, composta por sete livros de sete autores diferentes; cada um tem como tema um pecado capital. Ubaldo Ribeiro foi convidado a escrever um romance sobre a luxúria.

capa

Este livro é um prazer – literalmente, diga-se de passagem -, e a cada página você acha que não é possível existir uma mulher como a que narra a história. Ela tem 68 anos – dona CLB – e conta as mais loucas experiências sexuais que um ser humano pode ter (medo desta afirmação, porque é cada “nuvidade” que se vê todo dia…).

Qualquer outra coisa que eu fale aqui será irrelevante. Qualquer relato, mesmo o mais caliente, não chega aos pés deste clássico, uma das coisas mais sensacionais que eu já li – digam os puritanos o que quiserem.

A obra foi adaptada para o teatro.  E quem foi a protagonista? Lógico, Fernanda Torres. Poucas vezes eu ri tanto como no espetáculo dirigido pelo ótimo Domingos de Oliveira. Eu fui, aqui em São Paulo, na curta temporada de 2003 – no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), mas, quatro anos depois, a peça voltou para a cidade, desta vez, no Teatro Cultura Artística, onde ficou por três meses.

Fernanda Torres

Já que não temos mais como assistir à Fernanda Torres, na pele de uma quase “setentona” devassa, resta-nos rir com a propaganda veiculada quando o espetáculo esteve no Citibank Hall, na Cidade Maravilhosa.

Se quiser comprar o livro, clique aqui.

Bom, se você for pobre como eu, pode baixar aqui, também.

Outra coisa: já sei por que os portugueses vetaram a obra…

“Em suma, os americanos eram uns merdas simpáticos, só eram bonitinhos mas não sabiam trepar, e a maioria, quando queria dizer um palavrão, dizia God e Jesus, imagine um povo que achava palavrão dizer Deus e Jesus, tudo ligado ao puritanismo deles, usar Seu santo nome em vão, essas coisas. (…)
Eles trepavam e diziam oh God, oh God, só me lembra um português, Nuno, um português lindo que foi meu caso uns tempos, José Nuno, lindo. Aliás, fode-se muito bem em Portugal, apesar do que eu suponho ser a opinião generalizada. Mas eu quase nunca gozava com o Zé Nuno, porque, no momento culminante, ele urrava “não t’acanhes, não t’acanhes!”, e meu ponto G acionava um disjuntor no ato, eu entrava em crises de riso e depois roçava na bunda dele, ele adorava, embora fosse machíssimo e todo português, inclusive os veados – paneleiros, para ficar com a usança portuguesa e emprestar alguma cor local à narrativa -, os paneleiros que se juntam nos arredores do Campo Pequeno, onde se fazem ash curridash d’toirosh em L’shboa e vão trabalhar como forcados, que são uma espécie de veados parrudos que vão enfrentar os touros no peito. Em fila, trenzinho, um encostando a bunda no de trás, naturalmente. E depois vão às tascas, aos copos e à veadagem, são veados machíssimos. Vi muitas belas bundas em Portugal, que lá não são chamadas de bundas, mas de cu mesmo, que lá nem é palavrão, veja como são as coisas, grande país subestimado.”

Será pudor lusitano?

Cintia Santiago, que tem certeza de que João Ubaldo Ribeiro é o pai dela.

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2 Comentários »

  1. Eu amo esse livro. Vi a peça, também. Detestei o “Gula” da mesma coleção…

    Como você sabe, acho João Ubaldo sensacional; prefiro, porém, que ele não seja meu pai. Afinal, “curto” o filho dele e incesto não é a minha. 😉

    Beijo.

    Comentário por Nádia Lapa — sábado, maio 23, 2009 @ 19:47 | Responder

  2. Ah, sim… Bentinho, o meu irmão mais novo. 😛

    Beijo.

    Comentário por Cintia Santiago — sábado, maio 23, 2009 @ 20:21 | Responder


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