Midcult

domingo, maio 17, 2009

Um Caim e Abel moderno

Filed under: Livros — Nádia Lapa @ 23:04
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Como boa amazonense que sou, tenho preconceito com coisas “da terra”. Defendo o tambaqui, mas critico a música, o calor. A literatura, é claro, também entra no bolo.

Comecei timidamente a vencer essa barreira. Primeiro, dei pra minha mãe o Cinzas do Norte e o A Cidade Ilhada, do Milton Hatoum. Tinha – e continuo tendo – intenção de roubá-los no futuro. Mas eis que volto pra São Paulo, e a professora de Português mandou escolher entre três livros para leitura neste bimestre (sim, minha faculdade tem bimestres, tal qual uma escola primária). São eles: Dom Casmurro, Dois Irmãos ou Relato de um Certo Oriente. Sou uma mega fã de Machado de Assis, e por isso mesmo Capitu já deu o que tinha que dar (literalmente? nunca saberemos). Assim, sobraram duas obras de Hatoum.

Escolhi, por acaso, Dois Irmãos. Era o que tinha na Fnac (20,50 reais a edição de bolso da Companhia das Letras).

hatoum

O livro conta a história da complicada relação entre dois irmãos gêmeos de ascendência libanesa, Omar – o Caçula – e Yaqub. A narrativa começa ainda antes do nascimento do Caim e Abel amazonenses, e a maneira como o autor descreve os lugares e a Manaus antiga me prendeu de cara.

Eu jamais conseguiria fazer uma resenha sobre o livro, pois me identifiquei muito com diversos trechos da obra. O jeito de falar típico do amazonense, as descrições de coisas que nem mais existem por lá – mas que fizeram parte da minha infância -, os nomes das ruas por onde andei, as praças onde corri enlouquecidamente quando criança… 

Confesso não ter gostado do final, mas reconheço no autor um estilo interessante de ser lido, uma capacidade de descrever lugares e pessoas comparável aos grandes mestres da literatura. Você lê e logo imagina o rosto dos personagens, o jeito de falar, a rede vermelha no alpendre, o barulho da chuva, o cheiro de peixe. Poucos conseguem levar sua imaginação tão longe sem te cansar.

Um trecho que vale a transcrição: “o do cupuaçu pesado e maduro, cofre de veludo ocre que protege a polpa prateada, fonte de raro perfume”. Belíssimo modo de falar da minha fruta amazônica favorita. Cá está o tal “cofre”:

cupuacu

Agora, tenho mais 4 livros do meu conterrâneo para ler.

Nádia Lapa

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2 Comentários »

  1. Sou a primeira na fila do empréstimo.

    Comentário por Cintia Santiago — segunda-feira, maio 18, 2009 @ 08:46 | Responder

  2. Segundaaaaa na fila

    Comentário por Tathiane — terça-feira, maio 19, 2009 @ 12:52 | Responder


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